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Mostrando postagens com o rótulo História

Literatura Pernambucana: O Recife do Século XIX em "A Emparedada da Rua Nova", de Carneiro Vilela

Podemos falar do passado de Pernambuco através da literatura. Não só documentos tradicionais fornecem informações precisas sobre o passado, mas outras fontes podem dialogar com documentos considerados tradicionais, e quem se beneficia com isso é sem dúvidas o historiador, que alcança novas respostas, e o grande público, que pode observar que o trabalho do historiador é muito amplo.  Notar que a literatura é uma produção de seu tempo é o primeiro passo para afirmar sobre a grande capacidade de uma obra de ficção para representar seu tempo. Vale um adendo antes de comentar sobre a obra. Apesar deste potencial da literatura como fonte, não se pode tratar uma obra de ficção como um livro de história, que tudo o que ali está escrito é o que aconteceu de fato, e que 100% daquilo que está sendo representado aconteceu. Temos que enxergar a literatura de forma crítica, e frisar que estas obras não são neutras, foram escritas por alguém que desejava criticar o governo, a sociedade ou qualque...

Resenha Crítica: Nassau, Nassaus Notas brutas sobre os usos da História

     Durante este capítulo da obra de Bernardes, na introdução, o autor já procura fazer uma reflexão sobre a questão dos usos da memória da nação e do passado histórico, apontando como um dos aspectos que conduzem pelo desprezo das identidades brasileiras, dois grupos em específico: a Sociedade e os poderes públicos, que contribuíram na desvalorização e destruição do patrimônio nacional. Sendo assim, deslocando o olhar, para o que se cultivou a ter de uma identificação coletiva nos últimos cinquenta anos, se a pretensão de ter uma reminiscência totalizante, de fato inclui as diferenças e seus processos de afirmações no presente, ou se apenas seria uma história por uma historiografia dos vencedores e dos vencidos, provocando assim a abertura de perspectivas que possam serem divergentes.     Dessa maneira, o autor chega a outro ponto que merece um pouco mais atenção, o caso pernambucano e baiano questionando as diferentes reflexões quanto às comemorações dos...

A Grande Seca no Sertão e sua nova representação digital

No século XIX, Pernambuco era um estado de contrastes profundos. Enquanto a região da zona da mata prosperava com o cultivo e exportação de açúcar, o sertão enfrentava ciclos devastadores de seca e abandono. Em 1877, uma das maiores secas da história do Nordeste assolou o estado, causando perdas irreparáveis na agricultura, dizimando o gado e levando milhares de sertanejos à miséria. Diante da riqueza histórica e cultural do sertão nordestino, como compreender a profundidade desses eventos? Mais do que leituras ou visitas a museus, o contato com o cotidiano sertanejo pode ser explorado de forma inovadora por meio dos videogames.  Em busca de sobrevivência, muitos migraram para as capitais, como Recife, que se tornaram um ponto de convergência de retirantes. Contudo, essas cidades não tinham infraestrutura para lidar com tamanha demanda, o que resultou em acampamentos improvisados e condições insalubres para os recém-chegados.  Nesse período, as políticas públicas ainda eram es...

Como surgiu o Estado de Pernambuco

 Pernambuco surgiu quando, em 1534, o Rei D. João III decidiu dividir as terras do Brasil para melhor ocupá-las e protegê-las de invasores. Até então, os portugueses só haviam explorado a fauna e a flora das matas do litoral, e erguido entrepostos e feitorias, como a da Ilha de Itamaracá, para a exportação de pau-brasil. Franceses, aventureiros e piratas cobiçavam as riquezas da terra, assediavam os grupos indígenas e, desse modo, ameaçavam o direito de posse de Portugal sobre a parte que lhe coube segundo o Tratado de Tordesilhas com a Espanha em 1494. Diante dessas ameaças, Portugal resolveu dividir as terras em catorze capitanias hereditárias, e cada uma delas o Rei doou a um fidalgo interessado em prosperar no Novo Mundo. A doação era firmada em um Pacto Colonial, expresso nas cartas de doação e em forais. ou seja, o Capitão-Mor/ donatário tinha plenos poderes jurídicos, administrativos e até penais sobre escravizados, indígenas e homens livres, mas em contrapartida deveria est...