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O Forte das Cinco Pontas: Do Passado Holandês ao Museu do Recife

 O Museu da Cidade do Recife, também conhecido como Museu das Cinco Pontas, está instalado no histórico Forte de São Tiago das Cinco Pontas, localizado no bairro de São José, em Recife (PE). O forte foi construído pelos holandeses em 1630, durante o período da ocupação de Pernambuco. A intenção era erguer uma fortificação no centro da cidade para protegê-la de possíveis ataques e garantir o controle estratégico da região. Originalmente, o forte possuía formato pentagonal, o que lhe rendeu o nome “Cinco Pontas”. Essa forma tinha uma função defensiva importante, pois permitia proteger as fontes de água e a rota marítima local, já que, na época de sua construção, ainda era possível avistar o mar a partir do local. Em 1654, com a expulsão dos holandeses, os portugueses conquistaram o forte e realizaram uma reconstrução em pedra e cal, técnica comum nos projetos arquitetônicos utilizados em Portugal. Nesse processo, a quinta ponta foi retirada, deixando o forte com apenas quatro pontas,...
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As mulheres nas matérias policiais: violência de gênero na década de 1930 em Pernambuco nas páginas do Diário da manhã e do Diário de Pernambuco

               A década de 1930 marca mudanças importantes para as mulheres no Brasil, como a conquista do voto em 1932, a eleição de mulheres para a Constituinte de 1934 e um maior exposição do sexo feminino no mundo do trabalho urbano, percebido socialmente e divulgado nos jornais da época. Por mais que ainda existisse a proteção à moralidade e feminilidade padrão da época, tornou-se mais corriqueiro ter mulheres com rendas próprias e em busca de sua independência econômica e social. Por outro lado, muitos homens continuavam considerando a mulher como propriedade adquirida por meio das relações sexuais e matrimoniais que, caso sua posse fosse questionada, a agressividade poderia ser usada como defesa da honra. Os casos de violência contra a mulher seguiram ocupando espaço nas matérias policiais dos jornais do país e do estado de Pernambuco, apresentando aos leitores a brutalidade e recorrência desse tipo de delito. A maioria dos crimes publ...

RESISTÊNCIA E ANCESTRALIDADE: AS LUTAS QUILOMBOLAS NO INTERIOR DE PERNAMBUCO

As comunidades quilombolas do Agreste pernambucano conservam viva a memória de uma ancestralidade africana e uma histórica luta por direitos sociais e territoriais. Formadas por descendentes de escravizados fugitivos, essas comunidades resistiram ao colonialismo e à exclusão até os dias atuais. Castainho (em Garanhuns-PE) e Imbé (em Capoeiras-PE) exemplificam essa trajetória de enfrentamento às injustiças. Como observam estudos locais, “o Quilombo do Castainho está situado em Garanhuns-PE e possui grande relevância histórica e cultural. Esse quilombo é um dos muitos que simbolizam a resistência dos povos afro-brasileiros desde o período colonial”(Gomes e Santos 2023). Hoje reconhecidas como Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQs), elas preservam saberes, festividades e identidades próprias, enquanto reivindicam o direito às suas terras. Os quilombos do interior de Pernambuco remontam aos remanescentes do antigo Quilombo dos Palmares (extinto em 1694), cujos fugitivos se dispersar...

Povos originários e africanos: a resistência no processo de colonização em PE

Análise dos textos: “Escravos, África e o Brasil Holandês” e “Pernambuco Imortal”  Os dois textos analisam como a colonização aconteceu no estado de Pernambuco. Destacando a importância dos povos africanos escravizados e dos povos originários, que eram pessoas que faziam parte da história, mostrando como esses povos resistiram à dominação colonial em Pernambuco. Cada texto apresenta essas ideias de uma maneira diferente. No entanto, ambos os textos ajudam a entender que a colonização em Pernambuco não foi algo que aconteceu sem que houvesse resistência. A colonização em Pernambuco foi marcada por muitos conflitos, lutas e negociações. Isso mostrando que foi um processo complexo e cheio de desafios.  O texto “Escravos, África e o Brasil Holandês”, de Pedro Puntoni, integra a obra Relendo o Recife de Nassau, organizada por Gilda M. W. Verri e Jomard M. Britto. O autor aborda como os holandeses lidaram com a região Nordeste, especialmente em Pernambuco, durante o período em que e...

O Cinema em Pernambuco: História, Resistência e Identidade Cultural

     O cinema em Pernambuco ocupa um lugar singular na história audiovisual brasileira, destacando-se pela criatividade, pela força autoral e pela relação profunda com a cultura local. Desde os primeiros registros cinematográficos no início do século XX até o reconhecimento nacional e internacional contemporâneo, o cinema pernambucano construiu uma trajetória marcada pela resistência, inovação estética e compromisso social.      As primeiras experiências cinematográficas em Pernambuco surgiram ainda nas primeiras décadas do século XX, quando o cinema era visto principalmente como espetáculo e entretenimento. Nesse período, o Recife acompanhava as transformações urbanas e culturais do país, e as salas de exibição se tornaram espaços importantes de sociabilidade. Cinejornais e documentários registravam o cotidiano, festas populares, paisagens e eventos políticos, contribuindo para a formação de uma memória visual local.      Um dos momentos mai...

Mulheres de nome: A presença feminina em Pernambuco durante a ditadura militar

       De 1964 á 1985, houve, no Brasil, uma ditadura comandada por militares conservadores que, a fim de “melhor gerir o país”, governavam de forma vigilante, punitiva e repressiva. Seus interesses estavam atrelados a, inicialmente, livrar o país do comunismo e, após seu pseudo ato heroico, devolvê-lo à democracia, entretanto essa forma de gestão durou 21 anos.  Essa época foi marcada por perseguições políticas, torturas e um constante sentimento de medo, por parte da população que tiveram seus direitos políticos cessados e sua liberdade podada. Entretanto, nessa mesma época, em lugares diferentes do mundo como os Estados Unidos e países da Europa, como a França, havia um movimento que vinha tomando fôlego e adeptas, o feminismo. Como dito, a situação política no Brasil era de inexistência da democracia e silenciamento da voz de qualquer um que ousasse romper com os preceitos conservadores impostos pela ditadura. O exílio era comum para aqueles/as que eram pers...

Pernambuco, Ditadura Militar e resistência política: movimentos sociais, Igreja e redemocratização

 A Ditadura Militar instaurada no Brasil em 1964 representou uma profunda ruptura democrática, caracterizada pela centralização do poder, pela repressão aos opositores e pela restrição dos direitos civis e políticos. Esse período, que se estendeu até 1985, marcou intensamente a vida política, social e cultural do país. Em Pernambuco, entretanto, o regime encontrou significativa resistência, expressa por meio da atuação dos movimentos sociais, da Igreja Católica progressista e, posteriormente, da mobilização popular em defesa da redemocratização. A análise dos textos “O embate entre os movimentos sociais e o Estado: a história de Pernambuco durante o regime militar” e “O pioneirismo de Pernambuco no movimento das Diretas Já” permite compreender o papel relevante do estado nesse processo histórico. Nos primeiros anos da ditadura, o Estado brasileiro consolidou-se por meio de instrumentos autoritários, como os Atos Institucionais, que garantiram aos militares o controle político e jur...