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Mostrando postagens de dezembro, 2025

As mulheres nas matérias policiais: violência de gênero na década de 1930 em Pernambuco nas páginas do Diário da manhã e do Diário de Pernambuco

               A década de 1930 marca mudanças importantes para as mulheres no Brasil, como a conquista do voto em 1932, a eleição de mulheres para a Constituinte de 1934 e um maior exposição do sexo feminino no mundo do trabalho urbano, percebido socialmente e divulgado nos jornais da época. Por mais que ainda existisse a proteção à moralidade e feminilidade padrão da época, tornou-se mais corriqueiro ter mulheres com rendas próprias e em busca de sua independência econômica e social. Por outro lado, muitos homens continuavam considerando a mulher como propriedade adquirida por meio das relações sexuais e matrimoniais que, caso sua posse fosse questionada, a agressividade poderia ser usada como defesa da honra. Os casos de violência contra a mulher seguiram ocupando espaço nas matérias policiais dos jornais do país e do estado de Pernambuco, apresentando aos leitores a brutalidade e recorrência desse tipo de delito. A maioria dos crimes publ...

RESISTÊNCIA E ANCESTRALIDADE: AS LUTAS QUILOMBOLAS NO INTERIOR DE PERNAMBUCO

As comunidades quilombolas do Agreste pernambucano conservam viva a memória de uma ancestralidade africana e uma histórica luta por direitos sociais e territoriais. Formadas por descendentes de escravizados fugitivos, essas comunidades resistiram ao colonialismo e à exclusão até os dias atuais. Castainho (em Garanhuns-PE) e Imbé (em Capoeiras-PE) exemplificam essa trajetória de enfrentamento às injustiças. Como observam estudos locais, “o Quilombo do Castainho está situado em Garanhuns-PE e possui grande relevância histórica e cultural. Esse quilombo é um dos muitos que simbolizam a resistência dos povos afro-brasileiros desde o período colonial”(Gomes e Santos 2023). Hoje reconhecidas como Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQs), elas preservam saberes, festividades e identidades próprias, enquanto reivindicam o direito às suas terras. Os quilombos do interior de Pernambuco remontam aos remanescentes do antigo Quilombo dos Palmares (extinto em 1694), cujos fugitivos se dispersar...

Povos originários e africanos: a resistência no processo de colonização em PE

Análise dos textos: “Escravos, África e o Brasil Holandês” e “Pernambuco Imortal”  Os dois textos analisam como a colonização aconteceu no estado de Pernambuco. Destacando a importância dos povos africanos escravizados e dos povos originários, que eram pessoas que faziam parte da história, mostrando como esses povos resistiram à dominação colonial em Pernambuco. Cada texto apresenta essas ideias de uma maneira diferente. No entanto, ambos os textos ajudam a entender que a colonização em Pernambuco não foi algo que aconteceu sem que houvesse resistência. A colonização em Pernambuco foi marcada por muitos conflitos, lutas e negociações. Isso mostrando que foi um processo complexo e cheio de desafios.  O texto “Escravos, África e o Brasil Holandês”, de Pedro Puntoni, integra a obra Relendo o Recife de Nassau, organizada por Gilda M. W. Verri e Jomard M. Britto. O autor aborda como os holandeses lidaram com a região Nordeste, especialmente em Pernambuco, durante o período em que e...

O Cinema em Pernambuco: História, Resistência e Identidade Cultural

     O cinema em Pernambuco ocupa um lugar singular na história audiovisual brasileira, destacando-se pela criatividade, pela força autoral e pela relação profunda com a cultura local. Desde os primeiros registros cinematográficos no início do século XX até o reconhecimento nacional e internacional contemporâneo, o cinema pernambucano construiu uma trajetória marcada pela resistência, inovação estética e compromisso social.      As primeiras experiências cinematográficas em Pernambuco surgiram ainda nas primeiras décadas do século XX, quando o cinema era visto principalmente como espetáculo e entretenimento. Nesse período, o Recife acompanhava as transformações urbanas e culturais do país, e as salas de exibição se tornaram espaços importantes de sociabilidade. Cinejornais e documentários registravam o cotidiano, festas populares, paisagens e eventos políticos, contribuindo para a formação de uma memória visual local.      Um dos momentos mai...

Mulheres de nome: A presença feminina em Pernambuco durante a ditadura militar

       De 1964 á 1985, houve, no Brasil, uma ditadura comandada por militares conservadores que, a fim de “melhor gerir o país”, governavam de forma vigilante, punitiva e repressiva. Seus interesses estavam atrelados a, inicialmente, livrar o país do comunismo e, após seu pseudo ato heroico, devolvê-lo à democracia, entretanto essa forma de gestão durou 21 anos.  Essa época foi marcada por perseguições políticas, torturas e um constante sentimento de medo, por parte da população que tiveram seus direitos políticos cessados e sua liberdade podada. Entretanto, nessa mesma época, em lugares diferentes do mundo como os Estados Unidos e países da Europa, como a França, havia um movimento que vinha tomando fôlego e adeptas, o feminismo. Como dito, a situação política no Brasil era de inexistência da democracia e silenciamento da voz de qualquer um que ousasse romper com os preceitos conservadores impostos pela ditadura. O exílio era comum para aqueles/as que eram pers...

Pernambuco, Ditadura Militar e resistência política: movimentos sociais, Igreja e redemocratização

 A Ditadura Militar instaurada no Brasil em 1964 representou uma profunda ruptura democrática, caracterizada pela centralização do poder, pela repressão aos opositores e pela restrição dos direitos civis e políticos. Esse período, que se estendeu até 1985, marcou intensamente a vida política, social e cultural do país. Em Pernambuco, entretanto, o regime encontrou significativa resistência, expressa por meio da atuação dos movimentos sociais, da Igreja Católica progressista e, posteriormente, da mobilização popular em defesa da redemocratização. A análise dos textos “O embate entre os movimentos sociais e o Estado: a história de Pernambuco durante o regime militar” e “O pioneirismo de Pernambuco no movimento das Diretas Já” permite compreender o papel relevante do estado nesse processo histórico. Nos primeiros anos da ditadura, o Estado brasileiro consolidou-se por meio de instrumentos autoritários, como os Atos Institucionais, que garantiram aos militares o controle político e jur...

Quando o Império começa a ruir: Reflexões a partir de "O Império sofre e Agoniza" de Manuel Correia de Andrade

       O texto O Império sofre e agoniza , integrante da coleção Pernambuco Imortal , nos oferece uma importante oportunidade de repensar o Brasil do século XIX a partir de uma perspectiva crítica e descentralizada. Em vez de apresentar o Império como um período de estabilidade política e unidade nacional, o autor nos convida a observar seus conflitos internos, suas fragilidades e os sinais de desgaste que antecederam o fim da monarquia. Um dos principais pontos abordados pelo autor é o papel das províncias, em especial as de Pernambuco, na compreensão da crise imperial. Ao deslocar o foco da Corte para o Nordeste, o texto evidencia que o projeto imperial brasileiro nunca foi plenamente consensual. Pernambuco aparece como uma província marcada por experiências políticas próprias, tradições de contestação e tensões constantes com o poder central. Esse olhar é fundamental para o ensino de História, pois ajuda os estudantes a compreenderem que o Brasil não se constr...

Diário de Viagem de uma Historiadora: entre a História, a Memória e as Lacunas da Ilha de Itamaracá (parte 1)

Tudo tem história, então não seria diferente em começarmos pela história da Ilha de Itamaracá, a partir do momento que os portugueses adentraram a localidade até a atualidade (prometo que será breve e divertido estudar o passado e o presente).     Inicialmente os portugueses adentraram as regiões do litoral e apesar de terem repartido o território com a Espanha, com o tratado de Tordesilhas mas ninguém seguia os limites, dessa forma se nem os próprios que estavam a par do acordo ultrapassavam os limites imagine quem estava de fora como França, Holanda, Inglaterra.     De todo modo o Rei de Portugal dividiu suas terras em Capitanias com um Donatário ou Capitão-Mor responsável por cada território. A Capitania de Itamaracá foi doada a Pedro Lopes de Souza em 3 de setembro de 1534.     Importante destacar que a Ilha de Itamaracá tornou-se ponto estratégico para o litoral norte do Brasil. Visto que tinham uma defesa natural, por ser uma ilha, ter um ...