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Mulheres de nome: A presença feminina em Pernambuco durante a ditadura militar

     De 1964 á 1985, houve, no Brasil, uma ditadura comandada por militares conservadores que, a fim de “melhor gerir o país”, governavam de forma vigilante, punitiva e repressiva. Seus interesses estavam atrelados a, inicialmente, livrar o país do comunismo e, após seu pseudo ato heroico, devolvê-lo à democracia, entretanto essa forma de gestão durou 21 anos. 

Essa época foi marcada por perseguições políticas, torturas e um constante sentimento de medo, por parte da população que tiveram seus direitos políticos cessados e sua liberdade podada. Entretanto, nessa mesma época, em lugares diferentes do mundo como os Estados Unidos e países da Europa, como a França, havia um movimento que vinha tomando fôlego e adeptas, o feminismo.

Como dito, a situação política no Brasil era de inexistência da democracia e silenciamento da voz de qualquer um que ousasse romper com os preceitos conservadores impostos pela ditadura. O exílio era comum para aqueles/as que eram perseguidos/as pela repressão, o que não era diferente em Pernambuco.

O estado de Pernambuco é bem conhecido pelo seu histórico de lutas de viés social, a exemplo disso são as lutas camponesas, os fortes sindicatos e, posteriormente, a presença de pensadores atrelados à esquerda, como Paulo Freire. Durante a ditadura militar, esse engajamento político sempre foi mal visto e, assim que tomaram o poder, as repressões foram exercidas; logo no primeiro dia de ditadura, foram assassinados os jovens Jonas José Albuquerque Barros e Ivan Rocha Aguiar. Mas onde estariam as mulheres durante a ditadura?

De antemão, é necessário entender que, segundo Ana Maria Colling (1997), àquelas que se posicionaram contra a ditadura militar era duplamente transgressora; em primeiro momento por estar posicionando-se contra a ditadura e em segundo momento apenas por estarem posicionando-se politicamente, vide que, para o olhar patriarcal da época, o lugar da mulher estaria ligado ao privado, como a casa ou o casamento, e não ao público, como a política.

As mulheres sempre estiveram ligadas no ramo político, mesmo que à elas lhes fosse negado esse espaço, seja a favor da ditadura, seja contra ela, é inegável que àquelas que se posicionaram contra a ditadura sofriam de uma forma específica de repressão. Esse modus operandi não foi diferente em Pernambuco. 

Dulce Pandolfi (1948, Recife - PE), Maria Teresa Villaça (1945, Gravatá - PE), Helena Serra Azul Monteiro (1949, Fortaleza - CE), Yara Lúcia Brayner Mattos (1941, Recife - PE), Alexina Lins Crespo de Paula (1926, Recife - PE), Alexina Lins Crespo de Paula (1950, Fortaleza - CE) e Áurea Santos da Silva (1923, Taquaritinga do Norte - PE) foram algumas das mulheres que apresentaram ações subversivas, ou que foram consideradas subversivas, e que foram perseguidas e torturadas durante a ditadura militar.

É importante que se saiba o nome dessas mulheres para que elas nunca sejam esquecidas, algumas delas, como Áurea Santos da Silva, não sabiam sequer ler ou escrever. Áurea era integrante das Ligas Camponesas quando foi presa, em 1971, e foi acusada de exercer atividade subversiva.

Essa, e tantas outras mulheres pernambucanas, buscavam melhores condições de vida para si, buscavam ser respeitadas e, por questionarem o sistema vigente, foram perseguidas. Suas existências foram marcadas por resistência e coragem, desafiavam o estado e as normas sociais ao não aceitarem as limitações impostas a elas. Reconhecer a ação feminina é necessário para melhor compreender a história da ditadura, do Brasil e de Pernambuco.







Referências: 

COLLING, Ana Maria. A resistência da mulher à Ditadura Militar no Brasil. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997.

da Silva, Hemilly Suenny. ELAS FORAM À LUTA: MULHERES MILITANTES EM PERNAMBUCO NA DITADURA MILITAR. Revista de História Bilros: História (s), Sociedade (s) e Cultura (s) 12.24 (2024).

SILVA, Tatianne Ellen Cavalcante et al. Memórias femininas no Bom Pastor-PE: gênero, repressão e resistência durante a Ditadura Civil-Militar brasileira (1964-1985). 2017.


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