Pular para o conteúdo principal

Diário de Viagem de uma Historiadora: entre a História, a Memória e as Lacunas da Ilha de Itamaracá (parte 1)

Tudo tem história, então não seria diferente em começarmos pela história da Ilha de Itamaracá, a partir do momento que os portugueses adentraram a localidade até a atualidade (prometo que será breve e divertido estudar o passado e o presente).

    Inicialmente os portugueses adentraram as regiões do litoral e apesar de terem repartido o território com a Espanha, com o tratado de Tordesilhas mas ninguém seguia os limites, dessa forma se nem os próprios que estavam a par do acordo ultrapassavam os limites imagine quem estava de fora como França, Holanda, Inglaterra.

    De todo modo o Rei de Portugal dividiu suas terras em Capitanias com um Donatário ou Capitão-Mor responsável por cada território. A Capitania de Itamaracá foi doada a Pedro Lopes de Souza em 3 de setembro de 1534.

    Importante destacar que a Ilha de Itamaracá tornou-se ponto estratégico para o litoral norte do Brasil. Visto que tinham uma defesa natural, por ser uma ilha, ter um confinamento e isolamento importante para a época (século XVI) e lembre-se que as disputas por terra eram constante com diversos países da Europa, tais quais: franceses, holandeses e ingleses.

Apesar do protagonismo em relação a unidades funcionais e de governança, a Ilha de Itamaracá não alcançou desenvolvimento econômico compatível com o das capitanias vizinhas e a proximidade com a Capitania de Pernambuco gerava conflitos administrativos (Santos; Campello, 2024, p. 76).


    Porém mantinha boas relações comerciais com seu vizinho, o Recife. Com relação aos locais construídos na Ilha temos: A vila criada teve o nome de Vila da Nossa Senhora da Conceição.

 
Fonte: da própria autora, 2025.

    O que antes era a Vila da Nossa Senhora da Conceição, hoje é Vila Velha. Atrás dessa paisagem fica o mar. Como a Vila fica um pouco acima do mar é lindo vê toda a sua extensão, é uma das memórias que posso descrever para vocês mas jamais será como observar com os próprios olhos e mesmo se tirasse uma foto vocês não conseguiriam ter dimensão dessa pintura natural.

No topo de Vila Velha existem remanescentes arqueológicos que rementem a sua importante função em outros tempos históricos: Casa de Câmara e Cadeia, Santa Casa de Misericórdia, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e uma Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (Oliveira e Santos, 2015 apud Santos; Campello, 2024, p. 76).


 
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. 
Retirada de: Silva, 2014, p. 37.

  
Fonte: da própria autora. Dentro e Fora da Igreja.

    No Século XVII Pereira da Costa analisa a vila e destaca que era a capital da capitania de Itamaracá e que era prospera e que tinha uma vida ativa e econômica. A partir de seus portos, a vila, a organização de seus prédios administrativos, religiosos e residenciais, além da consolidação de um sistema com uma defesa eficiente, justamente por conta das suas estratégias de fortificações em pontos prioritários (Santos; Oliveira, 2015).

    Tem-se quatro unidades defensivas dentro do território, são elas: o forte do francês, Vila Velha, forte Orange e o Fortim da Catuama. O forte Frances é descrito em alguns documentos mas não tem-se as ilustrações icnográficas, então sabe-se pouco de sua história. O forte Orange foi construído pelos Holandeses que após derrotados os portugueses trocaram o nome para forte de Santa Cruz, e fizeram o Fortim da Catuama, ambos localizados em pontos estratégicos visto que era uma ilha e a única fora de ter acesso era por via marítima. “Cada Forte defendia uma entrada do Canal, limitando a possibilidade de um ataque por ambas às barras que formam a ilha (Oliveira; Santos, 2014, p. 231)”

Imagem mostra a ilha de Itamaracá em uma perspectiva aérea onde é possível perceber o contexto associado entre os portos, o centro administrativo e as fortificações. Autor desconhecido. Eylant Itamarica. 1633. Marcações de Oliveira; Santos, 2014, p. 231. Fonte: REIS FILHO, Nestor Goulart. op. cit. Imagem de numero: PE 41. 1) Vila de Nossa Senhora da Conceição, em frente ao acesso para a Vila de Igarassú. 2) Forte Orange. 3) Fortim da Catuama.

Vista aérea do Forte Orange. Fonte: Disponível em:
www.vivercidades.org.br. Acesso em: 25/12/2012
retirado de Oliveira; Santos, 2014, p. 235.

Forte Orange na entrada da barra sul do Canal de Santa Cruz. Foto de: 
ARKEOCONSULT. Acervo dos autores: Santos; Campello, 2024, p. 79.

            Acompanhem a parte 2 para saber mais detalhes desse forte, algumas curiosidades, compreender a invasão holandesa na ilha, bem como as questões simbólicas e da memória dos habitantes da ilha, e por fim analisarmos as suas lacunas...


REFERÊNCIAS

SANTOS, Josué Lopes; OLIVEIRA, Ana Lúcia Nascimento. Arqueologia e História Urbana: anotações de pesquisa sobre a Ilha de Itamaracá Colonial. HISTÓRIA UNICAP , Recife, PE, Brasil, v. 2, n. 3, p. 45–53, 2015. DOI: 10.25247/hu.2015.v2n3.pp. 45-53. Disponível em: https://www1.unicap.br/ojs/index.php/historia/article/view/585.. Acesso em: 01 dez. 2025.

ARAUJO, Welson José Alves de. Vila Velha de Itamaracá - PE: um patrimônio histórico-cultural e turístico a ser preservado. Associação Nacional de História (ANPHU); Núcleo Regional de História, Recife, PE, Brasil, p. 2-13, 2004. Disponível em: https://snh2013.anpuh.org/resources/pe/anais/encontro5/07-mem-arq-patrimonio/Artigo%20de%20Welson%20Jos%E9%20Alves%20de%20Ara%FAjo.pdf. Acesso em: 02 dez. 2025.

OLIVEIRA, A. L. N.; DOS SANTOS, J. L. A ILHA DE ITAMARACÁ E A ORGANIZAÇÃO DA DEFESA NO PERÍODO COLONIAL (SÉCULOS XVI E XVII): CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DO LITORAL NORTE DE PERNAMBUCO, BRASIL. Cadernos do LEPAARQ (UFPEL), v. 11, n. 21, p. 221-246, 14 mar. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/lepaarq/article/view/3080. Acesso em: 03 dez. 2025.

SANTOS, Josué Lopes dos; CAMPELLO, Cecília Barthel C.. A ‘Trilha dos Holandeses’ entre os caminhos da ilha de Itamaracá (PE): arqueologia e paisagem Fluviomarítima.  Revista Noctua, Recife, PE, Brasil, p. 73-103. DOI: https://doi.org/10.26892/noctua.v1i8p73-103. 2023. Disponível em:  https://fundacaoparanabuc.org.br/arquivo/2d95b_Noctua%20Artigo%204_Santos%20e%20Campello.pdf. Acesso em: 04 dez. 2025.

SILVA, Nátalli Emanuelli Araújo da. Nos fragmentados degraus do tempo : por uma história e memória do patrimônio de Vila Velha de Itamaracá. 139 f. Tese (Mestrado em Ciências Humanas: História) -Universidade Rural de Pernambuco. Recife, 2014. Disponível em: http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/6186. Acesso em: 05 dez. 2025.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Capitoa" D. Brites de Albuquerque: A primeira governante de Pernambuco

     Diante da indesejável presença francesa na América Portuguesa e do avanço espanhol na região, Dom João III, rei de Portugal, reconheceu a urgência de ocupar e administrar eficazmente suas terras nas Américas. Assim, o Estado português passou a abordar, de forma estratégica, a tarefa de colonização dessas novas terras. Em 1532, D. João III instituiu o sistema de donatarias para o povoamento da colônia — um modelo administrativo que já havia demonstrado sucesso na ilha da Madeira e nos arquipélagos dos Açores e de Cabo Verde.     Nesse contexto, o litoral das novas terras americanas foi segmentado em capitanias, e as parcelas de terra foram concedidas a nobres de confiança da Coroa Portuguesa. A esses donatários cabia a responsabilidade de ocupar a costa entre Pernambuco e o rio da Prata, incluindo a obrigação de armar navios, recrutar pessoas, arcar com as despesas e administrar a nova colônia. Duarte Coelho Pereira foi agraciado com a capitania de Pernambuc...

O Forte das Cinco Pontas: Do Passado Holandês ao Museu do Recife

 O Museu da Cidade do Recife, também conhecido como Museu das Cinco Pontas, está instalado no histórico Forte de São Tiago das Cinco Pontas, localizado no bairro de São José, em Recife (PE). O forte foi construído pelos holandeses em 1630, durante o período da ocupação de Pernambuco. A intenção era erguer uma fortificação no centro da cidade para protegê-la de possíveis ataques e garantir o controle estratégico da região. Originalmente, o forte possuía formato pentagonal, o que lhe rendeu o nome “Cinco Pontas”. Essa forma tinha uma função defensiva importante, pois permitia proteger as fontes de água e a rota marítima local, já que, na época de sua construção, ainda era possível avistar o mar a partir do local. Em 1654, com a expulsão dos holandeses, os portugueses conquistaram o forte e realizaram uma reconstrução em pedra e cal, técnica comum nos projetos arquitetônicos utilizados em Portugal. Nesse processo, a quinta ponta foi retirada, deixando o forte com apenas quatro pontas,...

Povos originários e africanos: a resistência no processo de colonização em PE

Análise dos textos: “Escravos, África e o Brasil Holandês” e “Pernambuco Imortal”  Os dois textos analisam como a colonização aconteceu no estado de Pernambuco. Destacando a importância dos povos africanos escravizados e dos povos originários, que eram pessoas que faziam parte da história, mostrando como esses povos resistiram à dominação colonial em Pernambuco. Cada texto apresenta essas ideias de uma maneira diferente. No entanto, ambos os textos ajudam a entender que a colonização em Pernambuco não foi algo que aconteceu sem que houvesse resistência. A colonização em Pernambuco foi marcada por muitos conflitos, lutas e negociações. Isso mostrando que foi um processo complexo e cheio de desafios.  O texto “Escravos, África e o Brasil Holandês”, de Pedro Puntoni, integra a obra Relendo o Recife de Nassau, organizada por Gilda M. W. Verri e Jomard M. Britto. O autor aborda como os holandeses lidaram com a região Nordeste, especialmente em Pernambuco, durante o período em que e...