Pular para o conteúdo principal

O Forte das Cinco Pontas: Do Passado Holandês ao Museu do Recife

 O Museu da Cidade do Recife, também conhecido como Museu das Cinco Pontas, está instalado no histórico Forte de São Tiago das Cinco Pontas, localizado no bairro de São José, em Recife (PE). O forte foi construído pelos holandeses em 1630, durante o período da ocupação de Pernambuco. A intenção era erguer uma fortificação no centro da cidade para protegê-la de possíveis ataques e garantir o controle estratégico da região.


Originalmente, o forte possuía formato pentagonal, o que lhe rendeu o nome “Cinco Pontas”. Essa forma tinha uma função defensiva importante, pois permitia proteger as fontes de água e a rota marítima local, já que, na época de sua construção, ainda era possível avistar o mar a partir do local. Em 1654, com a expulsão dos holandeses, os portugueses conquistaram o forte e realizaram uma reconstrução em pedra e cal, técnica comum nos projetos arquitetônicos utilizados em Portugal. Nesse processo, a quinta ponta foi retirada, deixando o forte com apenas quatro pontas, além de receber um novo nome. Apesar disso, o nome original permaneceu popular e é usado até os dias atuais.


O forte também possuía um porão, que era utilizado para manter pessoas presas. Como o edifício tinha ligação direta com o mar, quando a maré subia, a água invadia o espaço, fazendo com que muitas dessas pessoas morressem afogadas. Havia ainda outros porões em níveis mais baixos, porém o acesso a eles foi perdido ao longo do tempo, justamente por estarem muito abaixo do nível atual da construção.


Em cada uma das pontas do forte há canhões posicionados, que atualmente não funcionam mais. Esses canhões são de diferentes períodos históricos, alguns datados dos séculos XVIII e XIX, demonstrando as diversas fases de ocupação, uso militar e adaptações pelas quais o forte passou ao longo do tempo, funcionando como testemunhos materiais de sua trajetória.


Em 1982, o forte passou por um processo de restauração e foi transformado em museu pela Prefeitura do Recife, assumindo a missão de preservar, valorizar e divulgar a memória urbana, social e cultural da cidade, tornando-se um importante espaço de preservação histórica e de reflexão sobre o passado.

Referência 

Lira, Juliana I. Santos. Anotações pessoais: visita ao Museu das Cinco Pontas (Museu da Cidade do Recife). Recife, 19 nov. 2025. 5 f. Anotações manuscritas/digitais. Material de uso pessoal, não publicado.

Onofri, Maira. Fortificação Militar do século 17 em Recife/PE? Venha conhecer comigo o Forte das Cinco Pontas. YouTube, 4 jan. 2023. Disponível em: https://share.google/nTXcelz18GLHqo6XI. Acesso em: 7 jan. 2026.

RECIFE (Município). Museu da Cidade do Recife. Recife: Prefeitura do Recife, 2022. Disponível em: https://www2.recife.pe.gov.br/servico/museu-da-cidade-do-recife. Acesso em: 7 jan. 2026.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O mangue como expressão musical no Recife

     O Mangue Beat é um movimento cultural e musical que emergiu na década de 1990 na cidade de Recife em Pernambuco, e se tornou um importante marco para a história da música brasileira. Este movimento é caracterizado pela fusão de elementos da cultura tradicional nordestina, como maracatu, ciranda e samba, com influências de estilos globais, incluindo rock, música eletrônica, rap e reggae. A proposta do Mangue Beat era não apenas criar uma nova sonoridade, mas também expressar as realidades sociais e urbanas da região, especialmente as condições de vida dos habitantes das áreas periféricas e dos mangues.      A expressão musical do Mangue Beat é profundamente ligada à figura do homem periférico, que vive em condições de pobreza e exclusão social. As letras das músicas frequentemente abordam temas como a miséria urbana, a luta pela sobrevivência e a indignação diante das desigualdades sociais. Bandas como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A f...

"Capitoa" D. Brites de Albuquerque: A primeira governante de Pernambuco

     Diante da indesejável presença francesa na América Portuguesa e do avanço espanhol na região, Dom João III, rei de Portugal, reconheceu a urgência de ocupar e administrar eficazmente suas terras nas Américas. Assim, o Estado português passou a abordar, de forma estratégica, a tarefa de colonização dessas novas terras. Em 1532, D. João III instituiu o sistema de donatarias para o povoamento da colônia — um modelo administrativo que já havia demonstrado sucesso na ilha da Madeira e nos arquipélagos dos Açores e de Cabo Verde.     Nesse contexto, o litoral das novas terras americanas foi segmentado em capitanias, e as parcelas de terra foram concedidas a nobres de confiança da Coroa Portuguesa. A esses donatários cabia a responsabilidade de ocupar a costa entre Pernambuco e o rio da Prata, incluindo a obrigação de armar navios, recrutar pessoas, arcar com as despesas e administrar a nova colônia. Duarte Coelho Pereira foi agraciado com a capitania de Pernambuc...