As
primeiras palavras para definir uma viagem ao Recife não poderiam ser
diferentes das ditas pelo diretor Kléber Mendonça Filho em seu documentário
Retratos Fantasmas, quando o cineasta afirma com toda veemência: “Eu amo o
centro do Recife”. E, assim como Kléber, eu também amo o centro do Recife — amo
todas as suas curvas e segredos. Por isso, é certo que o dia anterior à viagem
sempre será marcado por agitação e nervosismo. E a melhor parte de tudo é que,
no fim, sempre vale a pena toda a ansiedade.
O
roteiro da viagem previa a visita a dois lugares: o Museu da Cidade do Recife,
localizado no Forte das Cinco Pontas, e o Museu Cais do Sertão. Ambos eu já
havia visitado em momentos anteriores, mas revisitar esses espaços sempre
proporciona novos olhares, novas perspectivas e novas memórias.
Após
a primeira visita ao Forte das Cinco Pontas, seguimos em direção ao bairro do
Recife. A partir desse momento, o cenário da viagem muda completamente a cada
instante: pela janela do ônibus, os olhos flutuam entre diferentes paisagens —
imagens belas do rio cortando a cidade, o Oceano Atlântico ao fundo e, logo em
seguida, uma cidade que não para de crescer e que, cada vez mais, expulsa para
as margens dos rios ou do mar aquelas pessoas que não se encaixam no modelo de
cidade considerado ideal. Como diria o grande Chico Science, a cidade não para,
a cidade só cresce, fazendo com que os de cima continuem subindo enquanto os de
baixo seguem sendo esmagados.
Ao chegarmos ao Cais da Alfândega para o almoço, foi impossível não perceber — e não fazer os olhos brilharem — diante da magnitude do mágico Rio Capibaribe, que, serpenteando a cidade desde sua origem, foi testemunha de inúmeras histórias vividas pelo Recife: de guerras e revoluções a bois voadores.
Após
o almoço e a cerveja na Rua da Moeda, como bons boêmios, seguimos em direção ao
Cais do Sertão. Para isso, caminhamos apressados pelas ruas do Recife Antigo,
passando por prédios centenários — alguns já restaurados, outros agonizando e
pedindo ajuda diante da ação impiedosa do tempo. Apesar da pressa, foi um
momento de grande satisfação. O Recife Antigo carrega o clímax da beleza da
cidade: a união perfeita entre prédios, pontes, rios e o mar ao fundo,
abençoando essa combinação que, sem dúvidas, merece ser contemplada.
Ao
chegarmos ao Cais do Sertão, a exposição, como sempre, emociona profundamente,
sobretudo aqueles que, assim como muitos retirantes, saíram do interior do
estado em direção à capital — historicamente vista como sinônimo de sucesso e
crescimento, em contraste com o interior, muitas vezes estagnado. Para nós,
meros interioranos, ver os objetos utilizados por Luiz Gonzaga e a história do
sertão sendo exposta — a vida de nossos avôs, avós e pais, moldada no barro e
na terra, no couro e no aço — é algo extremamente tocante.
Após
o fim da visita ao Cais do Sertão, a animação era tanta que fomos,
literalmente, correndo para conferir as exposições do Museu Caixa Cultural e do
Paço do Frevo. A necessidade de mergulhar ainda mais fundo na cultura e na
história do Recife clamava por mais.
Encerradas
essas últimas visitas, a viagem chegou ao fim, e levo comigo a certeza de que
ir ao Recife é sempre motivo de felicidade e expectativa. Caminhar e observar a
cidade vem se tornando uma necessidade: ver o rio serpenteando entre as ruas e
perceber a história de Pernambuco a cada esquina cruzada. O Recife respira e
transpira memória em todas as suas curvas. Viajar ao Recife é, para mim, sempre
algo mágico; a cidade carrega um brilho e uma mística que atraem, convocam e
fazem os olhos reluzirem. Em especial, a região do Recife Antigo, com suas
pontes e narrativas, evoca profundamente a memória e a identidade desse lugar.
A
viagem foi realizada dentro da disciplina de História de Pernambuco, ministrada
pela Prof.ª Dra. Zélia Gominho, no dia 19/11/2025, e ainda contou com a
presença da Prof.ª Dra. Delma Silva.
Algumas fotos da viagem:
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