A organização eclesiástica de Pernambuco
Quando nos referimos ao bispado de Pernambuco, estamos nos referindo a uma vasta extensão territorial, principalmente quando observado durante o século XVIII. Pernambuco no século XVIII era uma Capitania, uma das mais importantes em muitos aspectos, mas para o presente escrito, detendo sua grandiosa relevância a partir dos assuntos religiosos. O século XVIII foi marcado por intercorrências, principalmente nos assuntos relacionados a Igreja, esta que durante muitos períodos da História teve um controle grandioso, assim, como marco de ascensão da Igreja durante o setecentos é notório a ocorrência da expulsão dos missionário após a instalação da nova política assimilacionista, o Diretório Pombalino, e para Pernambuco, a Direção.
Durante os primeiros séculos da colônia os missionários atuavam de forma principal, deixando a Igreja em segundo plano de uma certa forma, a priori porque não havia ainda um bispado em Pernambuco, bispado este que foi fundado em 1676, finais do século XVII. No entanto, mesmo com a fundação do bispado a Igreja ainda assumia um papel não muito em destaque, ficando a cargo dos missionários a arrematação de pessoas para a conversão. Durante a primeira metade do século XVIII ainda havia a atuação dos missionários, em especial dos jesuítas, ordem que teve atuação no território com a fundação dos colégios e comercialização de gados, por exemplo, já na segunda metade, há a implantação da nova política, o Diretório Pombalino, política esta que foi disposta para o Maranhão e Grão-Pará, porém para Pernambuco tem-se a Direção, onde utilizou-se dos artigos do Diretório, adaptando-os para a região e adicionando artigos que fossem convenientes.
Com a implantação da Direção, a Igreja assume um lugar de protagonismo na sociedade, assim, neste momento a diocese preocupou-se em organizar as suas demais instituições para a arrematações de fiéis, dispondo assim das capelas e freguesias, por exemplo, para expandir a disseminação da fé cristã. A Sé de Olinda era responsável por designar vigários para tomarem conta dos órgãos pertencentes a ela, um exemplo disso é a freguesia da comarca de Manga, freguesia esta que localizava-se em Minas Gerais e respondia aos assuntos religiosos na diocese de Pernambuco. A freguesia de Manga é um exemplo para mensurar o tamanho da atuação da Capitania de Pernambuco, pois, o sul de Pernambuco no século XVIII fazia parte dos sertões, localidade da dita freguesia.
Dessa forma é possível perceber que Pernambuco contava com outros locais, como por exemplo, Minas Gerais, mesmo que apenas no âmbito religioso. Essa vasta territorialidade permite grandes trocas, seja ela religiosa, econômica ou cultural, assim, podendo perceber que a Igreja, em específico o clero da diocese de Olinda, conseguiu chegar a lugares além de Pernambuco, com isso, a partir dos órgãos religiosos conseguiu estimular outros setores, tais como a economia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AZEVEDO, Anna Elizabeth Lago de. O Diretório Pombalino em Pernambuco. 2004. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2004.
CUNHA, Elba Monique Chagas da. O Diretório dos Índios como projeto de “civilização” portuguesa para os sertões pernambucanos. Revista Latino-Americana de História, v. 3, n. 12, p. 85-116, 2014.
FEITLER, Bruno. Nas malhas da consciência: Igreja e Inquisição no Brasil: Nordeste, 1640-1750. 2. ed. São Paulo: Alameda, 2019.
SANTOS, Gustavo Augusto Mendonça dos. A JUSTIÇA DO BISPO: o exercício da justiça eclesiástica no bispado de Pernambuco no século XVIII. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 2019.
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