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A Beleza das Igrejas de Pernambuco: Fé que se transforma em Arte

Como ponto de partida, é de suma importância refletir sobre a grandiosidade em discutir temas relacionados à História de Pernambuco. Isso porque se trata de um recorte que abrange diversas temporalidades nos âmbitos político, econômico, cultural, social e religioso. Dessa maneira, ocupa um lugar central na formação do Brasil, pois, ao longo do tempo, Pernambuco foi palco de acontecimentos que marcaram pautas mundiais e regionais. Além disso, desmembrar a história de nosso estado, que já foi um país por alguns dias, contribui para compreender a história do Brasil. É também reconhecer a importância de um povo que, ao longo do tempo, construiu e deixou um legado para gerações posteriores.

Nesta perspectiva, entre os vários temas, destaca-se a religião. Em uma visita à cidade do Recife, capital metropolitana de nosso estado, observei os grandes templos religiosos e suas arquiteturas, o que me instigou a apontar algumas considerações sobre esse tema. Eles se apresentam como expressões de fé, história e arte, pois reúnem, em um mesmo ambiente, a espiritualidade pessoal e as manifestações artísticas de cada época, revelando a relação entre o ser humano e o divino — suas fachadas, altares cuidadosamente preparados e imagens sacras demonstram esse cuidado, tornando a arte uma forma de auxílio na oração.

É notório que, ao visitar esses templos, sente-se o aconchego e a sensação de um pedaço do céu em seus interiores, seja pela arquitetura barroca, seja por sua grandiosidade visual. Assim, essas igrejas destacam-se não apenas pela beleza estética e simbólica que carregam, mas também pelas lutas travadas entre diferentes crenças e visões de mundo. Os templos religiosos ultrapassam sua função espiritual, adquirindo significado como símbolos culturais ao reunir três elementos já apontados: fé, história e arte. Dessa forma, tornam-se locais de preservação de memórias e da identidade de um povo ao longo do tempo.

Como exemplo, pode-se mencionar a Igreja e Convento de São Francisco, um dos templos mais conhecidos de Pernambuco. Ela é uma das principais expressões do barroco brasileiro. Construída entre os séculos XVII e XVIII, constitui um marco da história religiosa e artística do estado. Além disso, faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. Seu interior impressiona pela grandiosidade visual e pela riqueza decorativa, refletindo os valores discutidos ao longo do texto, característicos da época colonial. Como afirmam pesquisadores sobre arquitetura religiosa, “a arquitetura religiosa em Pernambuco não apenas estruturou o território urbano e social das cidades, mas também atuou como elemento polarizador no crescimento urbano, integrando igrejas e conventos como focos de identidade cultural e patrimônio histórico” (Araújo, 2020, p. 46).

Outro ponto de destaque é que a religiosidade pernambucana também foi marcada pelas tradições trazidas pelos africanos escravizados. Essas expressões desencadearam o sincretismo religioso, não apenas em Pernambuco, mas em outros estados brasileiros. Assim, a religião, nesse contexto, funcionou como uma forma de resistência cultural e preservação da identidade africana. Um exemplo é a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Olinda, fundada por irmandades de afrodescendentes, cuja estética e simbolismo africanos se refletem em suas cerimônias e na iconografia presente na igreja.

Contudo, esse recorte sobre a representatividade religiosa é pouco ou quase nunca mencionado nos livros didáticos. Aquilo que foi primordial no contexto de nosso estado acaba sendo relegado a segundo plano. Assim, os docentes muitas vezes não aprofundam essa temática em sala de aula e, quando ela é mencionada, o faz de maneira superficial, focando em outros contextos considerados mais relevantes. Nesse sentido, o ensino sobre a religiosidade pernambucana continua limitado em muitos contextos escolares, o que dificulta que os alunos compreendam plenamente a riqueza da tradição religiosa local e o papel das igrejas e irmandades na preservação da identidade cultural e da memória coletiva do estado.

Portanto, as igrejas de Pernambuco são muito mais do que espaços de culto: são testemunhos vivos da história, da fé e da arte que marcaram e continuam a marcar a identidade do estado. Essas construções revelam a capacidade do ser humano de transformar a devoção em expressão artística, preservando memórias e tradições ao longo do tempo. Reconhecer e valorizar esse patrimônio é compreender que a história de Pernambuco não se resume a datas e fatos, mas se manifesta também nas formas, cores e símbolos que remetem à espiritualidade de um povo. Assim, a preservação e o estudo dessas igrejas tornam-se essenciais, garantindo que as futuras gerações possam se conectar com essa riqueza cultural.

REFERÊNCIA:

ARAÚJO, Renata Malcher de. Arquitetura religiosa no Brasil colonial. Rio de Janeiro: IPHAN, 2020.


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